A avaliação psicológica no Sul do Maranhão: instrumento de justiça social para famílias em vulnerabilidade
DOI:
https://doi.org/10.36557/2009-3578.2025v11n2p7941-7958Resumo
Os serviços de avaliação psicológica no Brasil defrontam-se com o paradoxo de serem constitutivos da identidade da profissão, permanecendo inacessíveis para populações em vulnerabilidade socioeconômica. Este estudo tem como objetivo relatar a experiência de um serviço gratuito de avaliação psicológica infantil, ancorado em uma perspectiva ético-política sensível às desigualdades. O processo, realizado entre outubro de 2023 e maio de 2025 com 11 crianças encaminhadas pelas redes de saúde e educação, integrou de forma crítica a aplicação de instrumentos padronizados, entrevistas com familiares e observação clínica, utilizando triangulação de dados.
Os resultados evidenciam que a identidade e efetividade do serviço sustentam-se em três pilares inter-relacionados: o rigor técnico-metodológico, a continuidade relacional – onde a escuta qualificada constitui uma trajetória causal ininterrupta de acolhimento – e a preservação de sua função essencial de legitimar o sofrimento invisível e mediar o acesso a direitos. Conclui-se que a prática avaliativa, assim conduzida, transforma o laudo em instrumento de empoderamento e inclusão social, demonstrando que a transformação de trajetórias e a permanência do compromisso social não são excludentes. Reafirma-se, portanto, a essência social da Psicologia como promotora de justiça e cidadania, por uma prática que dialoga criticamente com a realidade concreta das famílias.
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