Relações étnico-raciais na formação dos profissionais de saúde: lacunas e desafios para o cuidado equânime

Autores

  • Eduardo de Lima Fonseca
  • Tânia Maria da Silva Ribeiro
  • Luciana Coelho Ferreira
  • Erica Cristina Sanches Marreiros
  • Miriane Nunes Américo
  • Ane Cléia Silva Santos
  • Priscila Eliziane Pereira da Silva Araujo
  • Deisiane Renata Flor
  • José Edilson Rios Queiroz Júnior
  • Ana Cássia Gomes Lima

DOI:

https://doi.org/10.36557/2009-3578.2026v12n2p379-394

Palavras-chave:

racismo estrutural, equidade em saúde, formação em saúde, SUS, racismo institucional

Resumo

Introdução: O racismo estrutural no Brasil configura-se como um importante determinante social da saúde, produzindo desigualdades persistentes que afetam, sobretudo, a população negra e indígena. Enraizado nas estruturas históricas, sociais e institucionais, esse fenômeno impacta o acesso a direitos fundamentais, incluindo os serviços de saúde, refletindo-se em piores indicadores epidemiológicos. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a equidade surge como princípio essencial para enfrentar tais desigualdades, orientando a oferta de cuidados conforme as necessidades específicas dos grupos mais vulneráveis. Objetivos: Analisar as lacunas na formação dos profissionais de saúde no que se refere às relações étnico-raciais e discutir os desafios para a promoção de um cuidado equânime no âmbito do SUS. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico. A busca foi realizada nas bases SciELO, PubMed/MEDLINE e Biblioteca Virtual em Saúde, incluindo artigos publicados entre 2013 e 2026, além de documentos oficiais e normativas relacionadas à temática. Os dados foram analisados por meio de técnica de análise temática, permitindo a identificação de categorias relacionadas à formação profissional, racismo institucional e implementação de políticas públicas. Conclusão: Evidenciam-se lacunas significativas na formação em saúde, especialmente quanto à abordagem das relações étnico-raciais, ainda invisibilizadas ou tratadas de forma superficial nos currículos. A predominância de um modelo biomédico tecnicista e a fragilidade na implementação de políticas públicas contribuem para a reprodução de desigualdades raciais na assistência. Assim, torna-se necessária a reformulação curricular com abordagem transversal e estruturante, visando à formação de profissionais críticos, éticos e antirracistas, alinhados aos princípios de equidade do SUS.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 26 jun. 2014.

BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 20 set. 1990.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 23 dez. 1996.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos da área da saúde. Brasília, DF: CNE, 2001.

BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico: Saúde da População Negra. Brasília: Ministério da Saúde, 2023.

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Integral da População Negra: uma política para o SUS. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 992, de 13 de maio de 2009. Institui a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 14 maio 2009.

CARDOSO, F. S. et al. Racial inequality in health care of adults hospitalized with COVID-19. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 39, e00215222, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT215222.

FEREZIN, L. P. et al. Disparities in healthcare utilization among vulnerable populations during the COVID-19 pandemic in Brazil: an intersectional analysis. International Journal of Environmental Research and Public Health, Basel, v. 22, n. 6, p. 831, 2025. DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph22060831.

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2022.

INEP – INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação – presencial e a distância. Brasília: INEP, 2017.

MAPPING the expressions and impacts of racism on health in Brazil: a scoping review. The Lancet Regional Health – Americas, v. 54, 101323, 2026. DOI: https://doi.org/10.1016/j.lana.2025.101323.

SILVA, L. S. et al. Racial inequalities in the health establishment access to the treatment of COVID-19 in Brazil in 2020. Journal of Racial and Ethnic Health Disparities, v. 12, n. 1, p. 222–233, 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s40615-023-01866-1.

Downloads

Publicado

2026-09-30

Como Citar

Fonseca, E. de L., Ribeiro, T. M. da S., Ferreira, L. C., Marreiros, E. C. S., Américo, M. N., Santos, A. C. S., … Lima, A. C. G. (2026). Relações étnico-raciais na formação dos profissionais de saúde: lacunas e desafios para o cuidado equânime. INTERFERENCE: A JOURNAL OF AUDIO CULTURE, 12(2), 379–394. https://doi.org/10.36557/2009-3578.2026v12n2p379-394

Edição

Seção

Revisão de Literatura