Relações étnico-raciais na formação dos profissionais de saúde: lacunas e desafios para o cuidado equânime
DOI:
https://doi.org/10.36557/2009-3578.2026v12n2p379-394Palavras-chave:
racismo estrutural, equidade em saúde, formação em saúde, SUS, racismo institucionalResumo
Introdução: O racismo estrutural no Brasil configura-se como um importante determinante social da saúde, produzindo desigualdades persistentes que afetam, sobretudo, a população negra e indígena. Enraizado nas estruturas históricas, sociais e institucionais, esse fenômeno impacta o acesso a direitos fundamentais, incluindo os serviços de saúde, refletindo-se em piores indicadores epidemiológicos. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a equidade surge como princípio essencial para enfrentar tais desigualdades, orientando a oferta de cuidados conforme as necessidades específicas dos grupos mais vulneráveis. Objetivos: Analisar as lacunas na formação dos profissionais de saúde no que se refere às relações étnico-raciais e discutir os desafios para a promoção de um cuidado equânime no âmbito do SUS. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico. A busca foi realizada nas bases SciELO, PubMed/MEDLINE e Biblioteca Virtual em Saúde, incluindo artigos publicados entre 2013 e 2026, além de documentos oficiais e normativas relacionadas à temática. Os dados foram analisados por meio de técnica de análise temática, permitindo a identificação de categorias relacionadas à formação profissional, racismo institucional e implementação de políticas públicas. Conclusão: Evidenciam-se lacunas significativas na formação em saúde, especialmente quanto à abordagem das relações étnico-raciais, ainda invisibilizadas ou tratadas de forma superficial nos currículos. A predominância de um modelo biomédico tecnicista e a fragilidade na implementação de políticas públicas contribuem para a reprodução de desigualdades raciais na assistência. Assim, torna-se necessária a reformulação curricular com abordagem transversal e estruturante, visando à formação de profissionais críticos, éticos e antirracistas, alinhados aos princípios de equidade do SUS.
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