A priorização da humanização em detrimento da infraestrutura no SUS: uma revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.36557/2009-3578.2026v12n2p342-362Keywords:
Humanização da Assistência; Sistema Único de Saúde; Gestão em Saúde.Abstract
Introdução: A universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o acesso da população aos serviços de saúde, mas não foi acompanhada, de forma homogênea, pela expansão da capacidade material necessária para responder à demanda, refletindo-se em filas prolongadas, insuficiência de leitos e desempenho assistencial heterogêneo entre regiões. Nesse cenário, a humanização da assistência passou a ocupar posição central nas políticas de saúde, cuja implementação não pode ser examinada isoladamente das condições estruturais dos serviços. Objetivo: analisar, por meio de revisão integrativa, a relação entre as estratégias de humanização e os componentes estruturais do SUS, examinando se as evidências sustentam a hipótese de que a priorização da humanização, sem investimentos proporcionais em infraestrutura, capacidade instalada e condições de trabalho, contribui para a manutenção de filas, insuficiência de leitos, baixa resolutividade, insatisfação dos usuários e precarização do trabalho. Métodos: revisão integrativa fundamentada no referencial de Whittemore e Knafl, com buscas na PubMed/MEDLINE, BVS/LILACS, SciELO e BDENF, entre 2013 e 2026, priorizando estudos com vínculo explícito entre humanização e um componente estrutural da assistência. Resultados: dezessete referências compuseram a base do estudo, sendo catorze estudos, publicados entre 2015 e 2024, e três fundacionais. Desenvolvidos em cenários distintos, como maternidades, urgência e emergência, terapia intensiva, atenção primária, saúde mental e gestão regional, os estudos documentaram recorrentemente que dispositivos de humanização coexistem com limitações de infraestrutura, insuficiência de recursos humanos e dificuldades de acesso. Discussão: a maior parte dos estudos evidenciou que a precariedade estrutural condiciona a efetivação da humanização, mais do que o inverso, embora um achado isolado tenha demonstrado redução objetiva do tempo de espera após implementação de um dispositivo de humanização, qualificando essa conclusão. Conclusão: a hipótese encontra sustentação parcial na literatura revisada; a direção causal específica proposta não foi diretamente testada por nenhum estudo primário, permanecendo como inferência crítico-integrativa.
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