VESTÍGIOS ANCESTRAIS DOS NGO’OGÜ E Ü’ÜNEGÜ NA NATUREZA DO EWARE
DOI:
https://doi.org/10.36557/2009-3578.2026v12n1p498-528Palavras-chave:
Cultura. Divindades imortais. Magüta. Vestígios ancestrais.Resumo
Este estudo traz o resultado da pesquisa realizada na comunidade Ticuna de Vendaval, nas terras indígenas do Eware, local pertencente ao município de São Paulo de Olivença e situado à margem esquerda no Alto Solimões, Amazonas, onde o povo Magüta constitui-se, ainda hoje, como o maior grupo étnico em termo populacional da Amazônia brasileira. Na percepção do povo originário dessa região, o Eware é o santuário dos imortais culturais, que estabelece uma energia cósmica muito forte entre os seres humanos e não humanos (seres da sobrenaturalidade). Nesse território imemorial, sob a cosmovisão Magüta, existem várias divindades, demônios e espíritos do universo oculto e de natureza sagrada, os quais cada um tem uma função social entre os Ticuna. Como é caso dos Ngo’ogü e Ü’ünegü, que se constituem como seres ancestrais de permanência viva, espiritual e imortal, representando traços e valores identitários para a cultura originária. O objetivo do estudo é investigar os vestígios ancestrais deixados pelos Ngo’ogü (demônios, divindades e espíritos) e Ü’ünegü (seres imortais) na natureza sagrada do Eware, de modo a identificar como influenciam e se apresentam nos discursos e no cotidiano da comunidade indígena Magüta de Vendaval. A pesquisa foi de caráter qualitativo, com enfoque etnográfico e focada na pesquisa de campo. Valeu-se da observação em campo e entrevista com dez sujeitos sociais da etnia, escolhidos de acordo com as idades e funções sociais na comunidade. Verificou-se que a espiritualidade ocupa um papel fundamental, pois se configura como princípio organizador da vida comunitária e da relação com a natureza; os Magüta possuem formas próprias de compreender e interagir com o mundo.
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