Perfil epidemiológico dos casos novos de hanseníase em menores de 15 anos no período de 2016 a 2024 na região Araguaia-PA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2009-3578.2026v12n1p287-308Resumo
A Hanseníase, doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, caracteriza-se por um prolongado período de incubação (média de 5 anos) e manifestações clínicas que incluem lesões cutâneas hipoestésicas, comprometimento neural e possível envolvimento sistêmico. Sua transmissão ocorre através de secreções respiratórias durante contato próximo prolongado, embora apenas parcela dos expostos desenvolva a doença. O estudo teve como objetivo avaliar o perfil epidemiológico e a tendência temporal dos casos novos de hanseníase em indivíduos menores de 15 anos na Região do Araguaia (PA) entre 2016 e 2024. Tratou-se de uma investigação descritiva, transversal e quantitativa que utilizou dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e indicadores populacionais do IBGE. Foram analisadas variáveis sociodemográficas (sexo, faixa etária), clínicas (número de lesões, grau de incapacidade) e programáticas (modo de detecção, esquema terapêutico, motivo de saída). No período de estudo, registraram-se 230 casos novos, com incidência média superior a 10/100 000 habitantes, classificando a região como hiperendêmica. Observou-se predomínio na faixa etária de 10 a 14 anos (70,9%), leve maioria do sexo masculino (53%), detecção por demanda espontânea (52,2%) e adoção de esquema multibacilar em 61,7% dos pacientes. A proporção de alta por cura alcançou 70%, enquanto 8,7% abandonaram o tratamento. No diagnóstico, 79% apresentaram incapacidade de grau zero, 14,4% alguma forma de incapacidade e 5,6% não foram avaliados, indicando lacunas na aplicação dos protocolos. Os resultados confirmam a persistência da transmissão ativa de hanseníase em populações infantis na Região do Araguaia, evidenciada pela hiperendemicidade e pelo número expressivo de casos multibacilares em crianças. A predominância de detecção espontânea e as falhas no exame de contatos ressaltam a necessidade de fortalecer a busca ativa, ampliar o rastreamento de conviventes e garantir a aplicação consistente dos protocolos diagnósticos, especialmente o Protocolo Complementar para menores de 15 anos.
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