A influência das artes marciais na redução de comportamentos agressivos em adolescentes no ambiente escolar
DOI:
https://doi.org/10.36557/2009-3578.2026v12n1p242-264Palavras-chave:
Artes marciais, Educação física escolar, Comportamento agressivo, Adolescência, AutocontroleResumo
O presente estudo teve como objetivo analisar a influência das artes marciais na redução de comportamentos agressivos em adolescentes no ambiente escolar. Trata-se de uma pesquisa de campo, de caráter quase-experimental, aplicada e descritiva, com abordagem qualiquantitativa. A intervenção foi realizada no Colégio Estadual Padre Giuseppe Bugati, em União da Vitória – Paraná, envolvendo uma amostra de conveniência composta por 15 alunos do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, com média de idade de 14,2 ± 1,82 anos. O delineamento consistiu em oito semanas de prática extracurricular de Kung Fu e Jiu-Jitsu, com três sessões semanais de 60 minutos, totalizando 24 aulas. Para avaliação dos comportamentos agressivos e reativos entre pares, foi utilizado o Questionário de Comportamentos Agressivos e Reativos (Q-CARP), aplicado em dois momentos: pré e pós-intervenção. Os dados foram analisados por estatística descritiva e comparativa, considerando médias, desvios padrão e testes de diferença entre os momentos. Os resultados indicaram reduções significativas em comportamentos agressivos físicos e verbais, como “chutar ou dar tapa em colegas” e “dizer coisas ruins”, além de uma queda acentuada nas reações agressivas físicas, especialmente na atitude de “bater quando empurrado”. Em contrapartida, comportamentos de deboche e ironia apresentaram menor variação, sugerindo que dimensões simbólicas da agressividade podem demandar maior tempo de intervenção ou estratégias pedagógicas específicas. Conclui-se que a prática das artes marciais, quando aplicada de forma sistemática e integrada a valores morais e sociais, pode contribuir para a formação integral dos alunos, favorecendo o autocontrole, o respeito e a socialização. Apesar das limitações relacionadas ao tamanho da amostra e à ausência de grupo controle, os achados reforçam o potencial das artes marciais como ferramenta pedagógica para a Educação Física escolar e apontam para a necessidade de estudos futuros com maior abrangência e duração.
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