MERITOCRACIA NA EDUCAÇÃO: UMA CRÍTICA AO MITO DA IGUALDADE DE OPORTUNIDADES

Autores

  • Weden Almeida Vaz
  • Carlos Daniel Chaves Mourão
  • Antonio Deison da Silva Mendonça
  • Anderson Lima de Oliveira
  • Miron Menezes Coutinho
  • Jéssica Milanez Tosin Lima
  • Caio Lima Silva
  • Andressa Sousa Alves
  • Dayane Lucia Santana Barbosa
  • Wilson de Andrade Freitas
  • José Aécio Vieira Damaceno
  • Arthur Monteiro da Silva

DOI:

https://doi.org/10.36557/2009-3578.2026v12n1p129-149

Palavras-chave:

Meritocracia; Educação brasileira; Desigualdades educacionais; Justiça social; Políticas educacionais.

Resumo

A meritocracia, frequentemente apresentada como princípio de justiça e de igualdade de oportunidades no acesso e na permanência escolar, tende a desconsiderar, no entanto, as desigualdades que atravessam o sistema educacional brasileiro, contribuindo para a naturalização do fracasso escolar e para a responsabilização individual dos sujeitos. Diante desse contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar criticamente o discurso da meritocracia na educação brasileira, problematizando o mito da igualdade de oportunidades à luz das desigualdades sociais, econômicas e culturais. A metodologia adotada consiste em uma pesquisa de natureza qualitativa, de caráter bibliográfico e analítico, fundamentada em autores como Bourdieu e Passeron (1982), Dubet (2004) e Sandel (2022). A análise centra-se na articulação entre meritocracia, políticas educacionais e processos de avaliação, buscando compreender seus impactos sobre a organização escolar e a produção das desigualdades educacionais. Os resultados indicam que a meritocracia, ao operar como discurso legitimador, tende a reforçar a reprodução das desigualdades ao ignorar as condições objetivas de escolarização dos estudantes, deslocando para o indivíduo a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso educacional. Constata-se, ainda, que tal lógica se alinha a perspectivas neoliberais de gestão da educação, marcadas pela performatividade, pela competitividade e pela culpabilização dos sujeitos. Nas considerações finais, defende-se a necessidade de superar a lógica meritocrática como princípio orientador das políticas e práticas educacionais, propondo-se uma abordagem comprometida com a justiça social, a equidade e a igualdade de condições, de modo a reconhecer e enfrentar as desigualdades históricas presentes na educação brasileira.

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Publicado

2026-01-12

Como Citar

Vaz, W. A., Mourão, C. D. C., Mendonça, A. D. da S., Oliveira, A. L. de, Coutinho, M. M., Lima, J. M. T., … Silva, A. M. da. (2026). MERITOCRACIA NA EDUCAÇÃO: UMA CRÍTICA AO MITO DA IGUALDADE DE OPORTUNIDADES . INTERFERENCE: A JOURNAL OF AUDIO CULTURE, 12(1), 129–149. https://doi.org/10.36557/2009-3578.2026v12n1p129-149