ALÉM DOS MUROS: relatos pessoais e multiletramentos na EJAI em contexto de privação de liberdade
DOI:
https://doi.org/10.36557/2009-3578.2025v11n2p8893-8914Palavras-chave:
Miltiletramentos. Educação prisional. Produção de texto. Relato pessoal.Resumo
Por meio deste estudo, objetivamos analisar a produção de textos de uma turma de jovens, adultos e idosos privados de liberdade, que se desenvolveu a partir da aplicação de um projeto de letramento implementado em uma escola inserida no mencionado contexto. Para tanto, propomo-nos a observar em que medida a produção de narrativas pessoais ajuda no domínio da leitura e da escrita de textos com alunos da EJAI, bem como averiguar o uso do gênero relato pessoal para o desenvolvimento do letramento social e crítico. Dessa forma, esta pesquisa apresenta-se em caráter qualitativo, de natureza aplicada, objetivo interpretativo e procedimento interventivo. Em relação ao corpus, este é constituído por doze relatos pessoais produzidos pelos discentes, dos quais realizamos a apreciação em três. Como arcabouço teórico, consideramos: Soares (2003) e Rojo (2009), e outros, quanto aos estudos dos (multi)letramentos na sala de aula; além disso, Freire (1998) e Vieira (2004) e suas contribuições sobre o ensino na EJAI; Bourdieu (1988), Onofre (2007) e Lourenço e Onofre (2011) no que diz respeito à educação no sistema prisional; entre outros. Os resultados apontam claramente que, a partir do trabalho vivenciado em sala, os estudantes puderam refletir mais significativamente sobre o seu estar no mundo do cárcere, mas, ao mesmo tempo, pensar numa vida além dos muros, em liberdade e com mais condições de inclusão social, numa perspectiva de reintegração social ao seu meio e às suas famílias. Logo, o trabalho com relatos pessoais permitiu aos estudantes privados de liberdade refletir sobre questões éticas e existenciais, desenvolvendo pensamento crítico em relação ao seu passado, ao seu presente e o seu futuro. Quanto aos aspectos linguísticos, eles puderam refletir de modo a repensar a própria escrita e realizar um esforço de adequação às normais convencionais no ator de escrever.
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