Educação Física e Formação Humana sobre a égide do Capital
DOI:
https://doi.org/10.36557/2009-3578.2026v12n1p184-207Palavras-chave:
Educação Física, Formação Humana, Trabalho, Ontologia do Ser SocialResumo
O presente artigo analisa as determinações ontológicas que articulam trabalho, formação humana e Educação Física no interior da sociabilidade capitalista. Para apreender de maneira precisa o movimento do real e desvendar os nexos internos do nosso objeto de estudo, recuperamos os pressupostos teórico-metodológicos do materialismo histórico, fundado por Karl Marx (1818–1883) e Friedrich Engels (1820–1895) e aprofundado por György Lukács (1885–1971), como referência matricial na análise de caráter bibliográfico. A investigação foi organizada em três momentos articulados: inicialmente, discutimos o trabalho como categoria ontológica fundante da constituição do ser social, ressaltando que, ao produzir sua própria existência, o ser humano transforma a natureza e a si mesmo, desenvolvendo capacidades corporais, físicas e mentais inseparáveis de sua formação histórica. Em seguida, analisamos o surgimento moderno da Educação Física e sua funcionalidade na conformação do trabalhador na sociedade burguesa, evidenciando que sua constituição enquanto complexo social está vinculada às necessidades de disciplinamento, eficiência e docilidade exigidas pelo processo de produção de mais-valia. Por fim, abordamos como a lógica de valorização do capital redefine continuamente as exigências impostas ao corpo, aprofundando formas de subsunção, instrumentalização e captura da subjetividade, ao mesmo tempo em que limita possibilidades de desenvolvimento omnilateral. Concluímos que a Educação Física, embora determinada estruturalmente pela sociabilidade capitalista, mantém em sua prática e em seu conteúdo contradições que expressam brechas para a afirmação da teleologia consciente e para formas de formação humana não totalmente subordinadas aos imperativos da valorização. Sustentamos que a superação das determinações alienantes que recaem sobre a corporeidade só pode ocorrer mediante a crítica radical à lógica do capital e a recuperação do trabalho como práxis teleológica, condição necessária para a construção de uma Educação Física comprometida com a humanização plena, a emancipação e o desenvolvimento integral do ser social.
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