A POLÍTICA DA CESTA BÁSICA SOB O VIÉS DA ANÁLISE ECONÔMICA DO DIREITO: EFICIÊNCIA, SELETIVIDADE E JUSTIÇA DISTRIBUTIVA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2009-3578.2025v11n2p7573-7593Palavras-chave:
Globalização, Desenvolvimento, Análise Econômica do Direito, Tributação, EficiênciaResumo
O presente artigo analisa criticamente a política de desoneração da cesta básica instituída pela Lei nº 12.839/2013, avaliando sua capacidade de promover bem-estar social e equidade distributiva à luz da Análise Econômica do Direito (AED). A pergunta central que orienta o estudo é: a política de isenção tributária da cesta básica realmente promove bem-estar social e equidade distributiva, ou resulta em benefícios regressivos e ineficiências econômicas? Para responder a essa questão, adotou-se o método dedutivo, valendo-se da pesquisa bibliográfica como procedimento para a análise normativa, econômica e empírica da medida. O trabalho foi estruturado em três partes: (i) apresentação dos fundamentos e do funcionamento da desoneração da cesta básica instituída em 2013; (ii) discussão dos conceitos centrais da AED aplicáveis à avaliação de políticas fiscais, sobretudo as dimensões de eficiência produtiva, alocativa e dinâmica; e (iii) exame crítico da política de desoneração com base nesses parâmetros. Os resultados indicam que, embora a medida produza alguma redução de preços, seus efeitos distributivos são limitados, o custo fiscal é elevado e a maior parcela dos benefícios é apropriada por famílias de renda média e alta. Conclui-se que a política, em sua configuração atual, não cumpre integralmente os objetivos de justiça fiscal e mitigação da regressividade, mostrando-se menos eficiente do que alternativas focalizadas como mecanismos de devolução direcionados às famílias de baixa renda.
Downloads
Referências
ACEMOGLU, D.; JOHNSON, S.; QUERUBIN, P.; ROBINSON, J. A. When does policy reform work? The case of central bank independence. NBER Working Paper, n. 14033, 2008. Disponível em: https://www.nber.org/papers/w14033. Acesso em: 11 nov. 2025.
AKOBI, Karin B.; RIBEIRO, Marcia Carla P. A análise econômica do direito e a regulação do mercado de capitais. Rio de Janeiro: Atlas, 2014. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522487721/. Acesso em: 06 out. 2025.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 12 nov. 2025.
BRASIL. Lei n.º 12.839, de 09 de julho de 2013. Reduz a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep, da COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep‑Importação e da COFINS‑Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a importação de produtos que compõem a cesta básica; altera diversas leis; revoga dispositivo da Lei n.º 12.767, de 27 de dezembro de 2012; e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 10 jul. 2013. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12839.htm. Acesso em: 12 nov. 2025.
BRASIL. Ministério do Planejamento. Desoneração da cesta básica: relatório de avaliação. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/planejamento/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/cmap/politicas/2021/subsidios/desoneracao-cesta-basica-relatorio-de-avaliacao.pdf. Acesso em: 13 nov. 2025.
BRASIL. Ministério do Planejamento. Secretaria de Monitoramento e Avaliação. Desoneração da cesta básica e direito à alimentação. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/planejamento/pt-br/assuntos/noticias/2023/agosto/secretaria-de-monitoramento-e-avaliacao-lanca-boletins-com-analises-de-politicas-publicas/desoneracao-da-cesta-basica-e-direto-a-alimentacao.pdf. Acesso em: 13 nov. 2025.
BLUNDELL, R.; SHEPHARD, A. Employment, hours of work and the optimal taxation of low-income families. Review of Economic Studies, v. 79, n. 2, p. 481–510, 2012.
CALIENDO, Paulo. Direito tributário e análise econômica do direito: uma visão crítica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
CATINI, Bruno Reigota; MEIRA, Liziane Angelotti; SANTANA, Hadassah Laís de Sousa. Limitações das políticas de seletividade como instrumento fiscal de progressividade: a desoneração da cesta básica no Brasil. Revista do CEJUR/TJSC: Prestação Jurisdicional, v. 11, e409, p. 1–22, 2023. Disponível em: https://revistadocejur.tjsc.jus.br/cejur/article/view/409/239. Acesso em: 12 nov. 2025.
COASE, R. H. The problem of social cost. The Journal of Law and Economics, v. 3, p. 1–44, 1960.
FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES ASSALARIADOS RURAIS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (FETAPERGS). Tabelas – Salário-Mínimo. Disponível em: https://www.fetapergs.org.br/index.php/2015-07-27-16-46-22/tabelas-salario-minimo. Acesso em: 13 nov. 2025.
GICO JUNIOR, Ivo Teixeira. Análise econômica do processo civil. 1. ed. Indaiatuba (SP): Editora Foco, 2020.
GICO JR., I. T. Bem-estar social e o conceito de eficiência. Revista Brasileira de Direito, Passo Fundo, v. 16, n. 2, p. 1–43, 2020. Disponível em: https://seer.atitus.edu.br/index.php/revistadedireito/article/view/3581. Acesso em: 11 nov. 2025.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Rendimento domiciliar per capita 2018. Rio de Janeiro: IBGE, 2019. Disponível em: https://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Nacional_por_Amostra_de_Domicilios_continua/Renda_domiciliar_per_capita/Renda_domiciliar_per_capita_2018.pdf. Acesso em: 12 nov. 2025.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Rendimento domiciliar per capita 2021. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: https://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Nacional_por_Amostra_de_Domicilios_continua/Renda_domiciliar_per_capita/Renda_domiciliar_per_capita_2021.pdf. Acesso em: 12 nov. 2025.
NSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa de orçamentos familiares 2017-2018: primeiros resultados. Coordenação de Trabalho e Rendimento. Rio de Janeiro: IBGE, 2019. 69 p. ISBN 978-85-240-4505-9. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101670.pdf. Acesso em: 13 nov. 2025.
MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Manual de Direito Tributário . 15. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2025. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559776962/. Acesso em: 13 nov. 2025.
NUNES, Clecio Santos. Restituição dos Tributos sobre o Consumo (Cashback) como Instrumento de Equidade Tributária: Perspectivas. In: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SILVEIRA, Rodrigo Maito da; ANDRADE, José Maria Arruda de; LEÃO, Martha Toribio; FERNANDES, Fabiana Carsoni; CARAMICO, Mara Eugênia Buonanno (coord.). Transformações do direito tributário: avanços e retrocessos. Anais do IX Congresso Brasileiro de Direito Tributário Atual. São Paulo: Instituto Brasileiro de Direito Tributário – IBDT, 2025. p. 111-121.
OECD. Indicatores of Regulatory Policy and Governance – Latin America 2019: Brazil. Paris: OECD Publishing, 2019.
PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário Completo. 16. ed. Rio de Janeiro: SRV, 2025. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788553625901/. Acesso em: 13 nov. 2025.
RIBEIRO, M. C.; GALESKI JUNIOR, I. Teoria geral dos contratos: contratos empresariais e análise econômica. 2. ed., rev. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015.
SILVEIRA, Paulo Caliendo da. Direito tributário e análise econômica do Direito: contribuições e limites. Revista da FESDT, Porto Alegre, v. 3, p. 185–205, 2009. Disponível em: https://fesdt.org.br/fesdt-revista-edicao-3.php. Acesso em: 11 nov. 2025.
WILLIAMSON, O. E. Markets and hierarchies: some elementary considerations. American Economic Review, v. 63, n. 2,1973.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Carina Mandler Schmidmeier, Bianca Martins Knap, Carolina Maria Esmanhotto Gondek

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você tem o direito de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
- Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado , prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas . Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.